terça-feira, 9 de novembro de 2010

Grandes arrependimentos e alguns ídolos

Acumulei um certo número de pessoas famosas que passei a admirar ao longo da vida. Acho que tudo começou com minha amiga Brenda na 4a série*, que cantava enlouquecidamente as músicas do recém lançado (na época) Californication, clássico dos Red Hot Chili Peppers. Dali em diante virei "poser" da banda e do Anthony Kiedis (mais precisamente). Chorei por não ter ido ao show, comprei todos os albuns, colecionei fotos, reportagens, posters na minha pasta catálogo (aquela que todas as garotas tinham para colecionar coisas do Sandy e Junior, backstreet boys, spice girls etc).

Depois, cansada das peripécias do quarentão Kiedis, sob influência da minha amiga Juliana, passei a escutar Linkin Park e Offspring. Mas paixão mesmo foi o Offs, para os íntimos. Escutei o Americana todo (até então só conhecia Pretty Fly e WDYGJ) e escutei sem parar os outros cds. Nós também tietávamos o Dexter (vocalista da banda). Nessa época, nosso outro ídolo era o Urubu da Malhação, mas é melhor deixar quieto... hehehehe

E foi no final dessa fase que, em 2007, fui para a Bienal do Livro no Rio com a excursão do colégio. Era um sábado, e enquanto o pessoal ficou perambulando, resolvi ir na mesa redonda sobre cinema e literatura. Me lembro até hoje (eu e meu amigo Jean) a enrolação que foi. Daniel Filho ainda disse com todas as palavras que não sabia que o assunto era literatura e cinema e achou que era para divulgar seu novo filme (uma adaptação de Dom Casmurro, bem ruinzinha por sinal)... Oi?

Mais pro final da tarde, eu e minha prof de Português fomos assistir a mesa redonda mais esperada (pelo menos para mim): literatura e memória, com uma grande dama da literatura nacional, Ligia Fagundes Teles. Uma das minhas escritoras preferidas, eu havia comprado uns três livros dela na Bienal. E tudo que eu queria era que ela autografasse. Quando ela chegou, entrou pela mesma entrada que todos haviam entrado. Passou a pouquíssimos metros de mim, que estava sentada na fila do corredor. E mesmo com os incentivos da profa, não tive coragem de ir até ela pedir um autógrafo ou pedir uma foto. Enquanto ela falava lá na frente sobre como a memória é algo intrínseco ao ser humano, como a memória estava presente na arte e na literatura, como ela misturava as próprias memórias com a ficção, eu quase não prestava atenção. Uma senhora na casa dos oitenta, com aparência frágil, ali dizendo aquelas coisas maravilhosas, escrevendo coisas maravilhosas. Não sei se ela iria gostar de ser abordada por uma fã, mas também não acho que ela me daria um fora, já que ela parece tão serena. Fiquei me imaginando num mundo o qual eu pudesse ter falado com ela, ter pedido a assinatura em pelo menos um dos livros, ou simplesmente ter falado que a admirava muito. Amaldiçoei minha falta de coragem. E com essa sensação, tive que sair no meio da palestra, pois os provincianos achavam que não poderiam passar de 6 da noite para ir embora, afinal, o Rio é a capital dos bandidos.

De qualquer forma, acho que além de ídolos, todo ser humano compartilha um certo grau de arrependimento. O meu não é grande como um crime, mas nem tão pequeno que possa ser esquecido.

* A última notícia que tive da Brenda foi no Natal de 2003, quando ela me disse: "esse negócio de Red Hot é coisa do passado, o bom agora é Black Sabbath e Ozzy Osbourne" Fiquei com vontade de mandar um morcego de presente de Natal...

4 comentários:

  1. Adorei o Blog. Acho legal guardar suas idéias em um cantinho, por isso eu tenho vários, hahaha!

    Quanto a REd Hot, eu amava!
    Urubu então? nem comento.

    Tá lindo seu blog, Aline..
    Parabéns!

    =*

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  2. Valeu Barbara! Teu blog foi uma das inspirações para começar este!

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  3. para tdoo adorei!!!
    eu sou "a fanática" em pessoa!
    aos 15 eu corria atrás de mauricio manieri, dinho ouro preto e vini!!!
    kkkkkkkkkk
    pode???
    pode!!!
    quando se tem 15 anos, pode sim!!!

    ahauahuahau

    adorei a historia aline!!
    continue escrevendo sempre!!

    p.s. até hoje tenho medo de "venha ver o por do sol" da ligia kkkk só eu mesma...

    bjsss

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  4. Obrigada pelo comentário Liane!
    Eu tbm tenho medo de Venha ver o por do sol! É por isso que ela é uma das minhas escritoras preferidas!
    Pois é, a fase tiete é importante!

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